sábado, 15 de janeiro de 2011

stain

In a white paper
we pour in our darkness
Through the hole of a ballpen.

O ódio de Ariadne- 2003

É dirigido, é conturbado
É proibido
Mas nasceu antes do pecado
e é a origem de todo edifício.

O ódio de Ariadne é um fio
Que libera a vontade,
a morte, o cio
Sublimados como um ato razoável

Uma deusa tão imensa
tão maior que a mim engole
Uma besta

Fez Ariadne,
Fere Ariadne,
Até a morte, Ariadne!

O êxtase de Ariadne- 2003

É a morte, do seu sangue
É o desejo de sublimação
do horror
Para diminuir o seu próprio

Por amor ao seu deus
Teseu? ou Dionísio
Com seu escorpião na mão
ou pelas bocas suas
Em papéis que se transfiguram

Quando sua cabeça rolar
Por vales inalcansáveis
Êxtase! De duas mortes
De um caminho
Por um fim.

Vida

Sabe o que é mais estranho quando um amigo morre?
 É ficar tentando lembrar da última vez que o viu,
das coisas que conversaram, das coisas que pensou nos dias próximos a sua morte.
É ficar tentando achar um sinal, algo que denunciava a morte iminente.
E não há nada, nada de estranho ou diferente, quem morreu não esperava a morte.
Como sempre, ela tão óbvia, a única coisa certa nessa vida, chega como uma surpresa.
Não devia ser assim, da nossa parte, não é por parte dela: a morte nunca nos trai, não nos engana. Desde o primeiro momento em que entendemos estar vivo ela se mostra, nunca mente sobre sua natureza.
Nós é que mentimos sobre a nossa.
No chiaroscuro existencial, as vezes, falta luz.

Insula

Um abismo!
Antes fosse o labirinto
com sua promessa da saída

Aqui Ariadne
teu fio de ouro
em novelo, nada vale.

Observo da beirada impassível
O imenso descompasso
entre eu e o
outro lado

O buraco,
o vão
O espaço
intransponível.